No uso: JAC T8

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No uso: JAC T8

Gosto de carros transportadores de gente. O motivo principal é a versatilidade. Capacidade de levar pessoas e converter uma parte dessa capacidade para levar carga se for necessário é sempre um atrativo. É a tranqüilidade de atender necessidades variadas, sejam as nossas, da família ou de amigos. No caso de furgões ou vans grandes, esse atendimento pode ser feito também comercialmente.

Carros radicais também me atraem, lógico, e nesse ponto, uma perua monovolume como a T8 também pode ser enquadrado como radical. Radicalmente versátil. O preço do veículo para este mês é R$ 94.990.

De cara, grande e atraente. Bem desenhado por fora e por dentro, não há nada que possa ser considerado ruim. Gostei até da grade gigante que o Josias comentou quando da apresentação da T8. Grades grandes me passam informação de boa área de entrada de ar, de bom aproveitamento de radiador do motor e condensador do ar-condicionado.

No texto do tio Josias há mais dados técnicos, que não repetirei, me concentrando no que senti em alguns dias de uso.

Antes de embarcar no carro, já dá para saber alguma coisa importante. Um bom sinal de qualidade estrutural de projeto e de construção é o funcionamento das portas. Todas no T8 abrem e fecham perfeitamente, sem ruídos de dobradiças ou de regulagens erradas de engates das fechaduras. Não há nenhum 'pulinho' quando se abre qualquer uma das portas, o que mostraria que ela estaria forçada no engate da carroceria. Todas são suaves e fecham com som abafado, sem ruído de chapa de metal vibrando, ponto muito positivo.

No funcionamento, o T8 também atrai quem gosta de conhecer todo tipo de veículo, mas só depois que se pega o jeito certo de trocar de marcha, principalmente primeira para segunda e segunda para terceira. Se a mudança for muito rápida, precisa-se de rotação elevada para evitar uma segurada, reflexo da pouca potência em rotações abaixo de 2.000 rpm. Com pouco peso, andar pouco acima dessa rotação já é suficiente para se desvencilhar do trânsito mais pesado.

Eu esperava mesmo que o carro fosse lento, que atrapalhasse a circulação dos carros menores e mais leves, mas me vi empurrando (no bom sentido) vários deles, conduzidos de forma cada vez mais letárgica, algo que não consigo entender. Deve ser problema das cabeças mesmo. O que acontece é que depois de 60 km/h, asexta marcha pode ser mantida com facilidade desde que não hajam subidas muito fortes à frente. Até mesmo em quinta marcha com cerca de 350 kg a bordo o desempenho não é irritante, sem ser esportivo, claro, já que a finalidade de um carro desse tamanho nunca vai ser essa.

A alavanca de mudanças é bem leve e precisa, embora se requeira costume com a distância um pouco grande que ela está em relação ao braço do motorista. Se fosse um pouco mais longa, uns 50 mm, esse problema seria menor. Pessoalmente não estou acostumado com a sexta marcha, e isso requereu algumas horas para memorizar e passar e não engatar marchas erradas. Para quem está acostumado com cinco, precisa lembrar que tem mais uma.

O sopro do compressor é lindo, delicioso, e mostra facilmente quanto você está acelerando. Poderia ser complementado por um manômetro de pressão de ar de admissão. Mesmo com potência razoável para o peso, me vi muitas vezes com o pé no fundo, para evitar contratempos. Logo após o ponteiro marcar 2.000 rpm começa-se a escutar o compressor soprando ar para dentro do motor, um som muito agradável para mim. Tem gente que não gosta nem mesmo do simples ruído de aspiração de um motor sem compressor, a esse é um dos motivos pelos quais existem os ressonadores, aquelas caixas grotescas no caminho do ar de entrada, quase sempre próximas ao filtro de ar. No T8, esse som, inclusive, ajuda a conectar o carro ao motorista, uma ligação mais informativa entre pedal de acelerador e o cérebro.

Freios bons, disco nas quatro rodas, com os já normais ABS e distribuição eletrônica de força de frenagem em cada roda (EBD). Ao menos no Exterior, os freios a tambor parecem estar quase extintos. Torço muito para que isso aconteça em breve no Brasil também. Manutenção dificil e eficiência sempre duvidosa, está na hora de ser extinto. Mas desse mal o grande JAC não padece, ainda bem. A assistência está bem dimensionada, semter pedal sensível demais ou pesado ao extremo.

Na quinta e sexta, com compressor empurrando, deve-se focar na frenagem, pois o momentum ou quantidade de movimento é grande. Afinal, 2.100 kg em ordem de marcha é bastante coisa. Qualquer três pessoas e alguma bagagem são duas toneladas e meia, e não se pode esquecer disso. Assim como não se pode imaginar que estamos em um carro de passeio ao fazer curvas. Não que o T8 seja ruim, longe disso. Ele se enquadra apenas numa classe de carros que precisam ser dirigidos com atenção extra, no trânsito e nele. O que mais atrapalha, é claro, são os pisos ruins, que fazem o carro balançar em torno do eixo longitudinal (de um lado para o outro). Mas em curvas em bom piso a inclinação é pequena, muito contida para tanta altura de carro e massa sendo deslocada. Gostei muito disso, e foi possível andar junto com carros menores normais em estrada cheia de curvas. O T8 não é um estorvo nesse tipo de trajeto, podendo até mesmo empurrar facilmente os mais lerdos, o que é um serviço de utilidade pública.

Os bancos revestidos em um ótimo couro são firmes, com conforto bem aceitável, e as regulagens são amplas, exceto no banco inteiriço da terceira fila. Há ajuste de altura e inclinação de assento, inclinação de encosto, ambos elétricos para motorista e passageiro. Há ajuste lombar nos encostos por alavanca, bastante útil em longos trajetos. Quando as costas começam a cansar, a alteração da posição desse ajuste ajuda no relaxamento da área mais cansada, e passa o ponto de maior tensão para outra parte das costas. Atrás, muito bom, espaçoso, com comando de teto solar e ar-condicionado entre as seis saídas reguláveis, até um certo exagero, mas nesses tempos de economia em tudo, muito bem-vindo.

Também a iluminação do teto com LEDs ajuda muito na mensagem de boa fabricação e cuidado com detalhes. O carro é realmente claro no breu da noite, algo muito bom quando várias pessoas precisam se deslocar e movimentar seus pertences.

O teto solar sobre a segunda fila de bancos abre totalmente, e tem defletor de vento para evitar turbulência e baixa pressão que provoca ruídos desagradáveis. Essas duas poltronas são de mesmo desenho das dianteiras, e tem dois apóia-braços. Correm com grande curso para frente e para trás, para ajudar o acesso à terceira fila, e giram 360° para ambos os lados para um bate-papo cara a cara com quem está atrás. Infelizmente os cintos não estão presos nelas, então, fazer isso em movimento não é recomendável.

Vidros dianteiros elétricos não tem abertura e fechamento com um toque. Na segunda fila não abre nenhum vidro, algo natural em portas corrediças, que são ótimas, algo perfeito em um carro grande, permitindo acesso tranqüilo e espaçoso por qualquer um dos dois lados do carro. Os vidros da terceira fila basculam, permitindo uma ventilação ótima, com o ar saindo bem no final da cabine.

O painel de instrumentos não tem porta-objetos em uma posição e altura que evite tirar os olhos da estrada, sem lugar prático para um controle remoto de garagem, por exemplo. A parte superior tem espaço para isso, era só fazer um desenho mais utilitário e menos imitação de carro. Não é carro, é transportador de gente. Isso fez a JAC optar por um luxo que é agradável, mas a meu ver, desnecessário. O acabamento de painel de instrumentos, principalmente, está muito similar a um bom carro caro, diferente do restante, que é mais simples. Os apliques imitação de madeira por exemplo, tem cor e textura ótimos, passando imagem de algo custoso e bem trabalhado. Esse tipo de filosofia gera coisas bonitas, mas pouco práticas, como peças de cor muito clara em locais não lógicos, como os ótimos degraus de acesso ao interior.

Um degrau para entrar com aplique cromado onde se coloca o pé não é algo verdadeiramente desejável. Muito mais lógico seria uma peça plástica ou de borracha (melhor) bastante robusta e que possa ser facilmente lavada. No carro de avaliação todas estavam irremediavelmente riscadas. Isso precisa ser alterado o mais rápido possível, já que o carro aparenta ser bem robusto e durável, e uma peça que se estraga prematuramente mancha essa imagem.

Manobrar é fácil. Sentado alto, com pára-brisa enorme e espelhos perfeitos, nota-se que o carro não é tão largo quanto parece. Ao se andar em avenidas e estradas, nota-se que o carro cabe com folga nas faixas de largura normal, essas que são cada vez mais raras, em prol de ônibus, bicicletas e motos.

Gostei do JAC T8. Imaginei que fosse razoavelmente bem feito, mas me surpreendi de verdade. Com boa assistência técnica, A empresa tem tudo para vender bem e manter o valor de revenda, algo sempre preocupante em muitas marcas de carros, e que as fábricas e importadores deveriam ter muito mais atenção, pois é o que garante o futuro.

(Auto Entusiastas)