Jac T5: primeiras impressões

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11/05/2016
Jac T5: primeiras impressões

SUV se destaca pela boa oferta de equipamentos e espaço interno. Modelo é o melhor chinês à venda no Brasil, mas falha em detalhes.

Português e mandarim estão entre os idiomas mais difíceis de se aprender. Enquanto o primeiro possui diversas conjugações, regências e praticamente uma exceção para cada regra, o segundo, por conta de seus milhares de símbolos, nem precisa de maiores explicações para tamanha dificuldade.

Há cinco anos no país, a Jac Motors se instalou por aqui prometendo aprender rápido o nosso português – e o gosto dos milhões que falam este idioma. Depois de um começo promissor e uma queda acentuada nas vendas pelas mudanças nas condições de importação, os orientais querem mostrar com um novo produto que chineses podem, sim, se arriscar no samba que é o nosso mercado.

O candidato desta vez é o T5. Ele nada mais é do que um SUV com visual de Hyundai ix35, porte de Ford EcoSport e preço de Volkswagen CrossFox.

Melhor chinês no Brasil

Mas o T5 vai além na tática de custar menos do que a concorrência para cativar. Ele é o melhor chinês à venda no Brasil. E isso começa a ser justificado pela lista de equipamentos. Até então, nenhum outro veículo vindo deste país oferecia controles de tração e estabilidade.

O T5 é oferecido em três versões. O Pack 1, de R$ 59.990 tem os itens básicos para a categoria, vidros, travas e retrovisores elétricos, direção elétrica, ar-condicionado digital e sensor de ré. Ele ainda vai um pouco além em segurança, com freios a disco nas quatro rodas e controle de tração.

No Pack 2, de R$ 66.690, são adicionados controle de estabilidade, assistente de partida em rampas, rodas de liga leve, luzes diurnas de LED, rack de teto e faróis de neblina. Por fim, a versão mais completa, o Pack 3, de R$ 70.690, tem bancos de couro e central multimídia de 8 polegadas com reprodução de conteúdo do smartphone na tela.

Motor dá conta

Todas as versões trazem o motor 1.5 flex de até 127 cavalos. Ele já é usado no J3 S, e também em versão apenas a gasolina no J5. O torque é de 15,7 kgfm, disponíveis a 4 mil rotações por minuto, e o câmbio é manual, de 6 marchas.

O conjunto está longe de ser referência em desempenho, mas consegue colocar os 1.210 kg do SUV compacto em movimento com certa agilidade.

Mas essa condição só é alcançada se o motorista esticar as marchas até mais de 3 mil rpm, momento em que é perceptível que poderia haver mais cuidado com o isolamento acústico.

Também parece haver um “buraco” entre as marchas, sobretudo entre a terceira e a quarta. Em estradas, para conseguir retomadas satisfatórias, é preciso reduzir duas ou mais marchas. A transmissão possui engates curtos, sempre acompanhados de um barulho de clique, já característico de carros da Jac. A caixa, porém, é mais precisa do que rivais como o Renault Duster, por exemplo.

Se o desempenho fica devendo, o consumo não decepciona. Abastecido com etanol, o T5 registrou consumo urbano de 7,5 km/l e rodoviário de 11,1 km/l. Como comparação, o EcoSport, de acordo com a tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, do Inmetro, faz 7 km/l na cidade e 8,2 km/l na estrada. O Duster vai ainda pior, com 6,8 km/l e 7,3 km/l, respectivamente.

Ainda há falhas

Porém, como um gringo que está aprendendo a falar português, o T5 ainda dá algumas “mancadas”. Os botões da central multimídia não são iluminados, dificultando o uso durante a noite.

A central multimídia, apesar de oferecer espelhamento da tela de smartphones via MirrorLink, não tem uso intuitivo. A sensibilidade da tela é boa, mas gasta-se muito tempo para funções simples, como conectar um dispositivo móvel via Bluetooth.

O T5 não foge à regra de ter direção e suspensão macias - uma característica dos veículos chineses disponíveis por aqui. A primeira ajuda em manobras, e conforme o carro ganha velocidade, vai ficando mais rígida. A suspensão, por sua vez, é sempre mole demais, e não ajuda o carro a contornar curvas, deixando a carroceria deslizar.

Espaço para todos

A cabine do T5 traz um visual moderno, em uma clara evolução em relação ao primeiro J3 vendido no Brasil. Há linhas contemporâneas, com mistura de texturas e cores. Uma pena que, em sua maioria, os painéis sejam de plástico duro. Mas isso não é exclusividade do T5, e concorrentes como Duster e EcoSport também usam dos mesmos artifícios.

No quesito espaço interno, o SUV chinês só perde para o Renault. Equivalentes em comprimento (4,33 m), o T5 oferece 2,56 m de entre-eixos, contra 2,67 m do Duster. O troco vem no porta-malas. O Jac oferece 600 litros, contra “apenas” 475 litros do Renault. Nos dois casos, o EcoSport é superado com folgas, com seus 4,24 m de comprimento, 2,52 m de entre-eixos e apenas 362 litros de porta-malas.

Como tem assoalho praticamente plano, o T5 acomoda bem cinco ocupantes. O espaço para pernas, ombros e cabeça também é bom.

Mercado

A grande dúvida de muita gente é: vale a pena comprar um carro chinês por R$ 70 mil? Afinal, apesar de ter tabela inicial em R$ 59.990, é a versão com o Pack 3 que tem o melhor custo-benefício e que melhor deve se sair nas vendas.

Levando em conta os principais rivais, a resposta é simples. Se a busca é por um SUV completo e o orçamento não puder ultrapassar muito os R$ 70 mil, o T5 vale a pena.

O EcoSport mais próximo em equipamentos é o FreeStyle 1.6, de R$ 75.690. O Duster mais próximo é o Dakar 1.6, por R$ 74.070. Ambos ficam devendo acendimento automático dos faróis, bancos de couro e ar-condicionado digital. O Renault ainda não traz, nem como opcional, controles de tração e estabilidade.

Conclusão

O T5 é um dos primeiros (senão o primeiro) carro produzido na China que possa ser indicado como um bom produto, no mesmo nível de rivais. É possível compará-lo sem deméritos com o Renault Duster.

Ainda faltam ajustes finos e o câmbio automático - uma versão CVT é aguardada ainda para este ano. Porém, é fato que os chineses estão aprendendo a falar português, assim como aconteceu com japoneses nos anos 1990 e coreanos nos anos 2000.